Depois de optar pela busca, não dá para ficar com pouco, com pouco falta gás, fogo, combustão, preciso da chama acesa, pulsante. Ela me diz para onde devo ir, qual é o meu caminho, minha direção, meu eixo, sem desviar o olhar, acreditar que posso e mereço muito sim, chega de pouco!
Pouco fez-me, infeliz, aflita, angustiada, pequena, invisível, nada! Mas eu acreditei que esse pouco era muito, era o que eu merecia, ouvi muitas vezes:
- Você está sendo ingrata, têm tudo, reclama de barriga cheia!
Tudo, tinha tudo, mas aquele tudo era pouco, muito pouco. Para muitos eu tinha tudo mesmo, mas tinha um buraco em mim, que tudo era esse?
Minha barriga estava cheia desaforo, medo, piedade!
A lamparina ascendeu, e tornou-se numa brasa fumegante, engoliu-me, como não sair ferida, queimada, com a epiderme e a derme exposta, sangrando?
Eu tinha que ter coragem para cuidar das minhas feridas, cicatriza-las, isso levaria tempo, tinha que debridar, deixar aberta, ia doer, disso eu sabia!
Assim tem sido todos os dias, limpando as feridas, limpando minha alma e meu corpo de toda droga consumida até agora, porque essa droga é pouco, muito pouco!
Em constante recuperação, para não cair no vicio novamente, para que mais uma vez não me façam acreditar que aquele pouco é muito, é tudo!
Voltei para onde deveria estar, para o ponto inicial, assim como um balão, preciso dessa chama para voar livremente, vou para onde o vento me levar.
Amanda Lima
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